16 de set de 2008

Xepa (Carlos Trovão, Marcelino Peixoto e Margarida Campos) no SPA das Artes em Recife - 7 a 14 de setembro 2008

Para o SPA das Artes, Xepa apresenta um projeto de intervenção urbana que problematiza a relação entre a matéria e sua destruição. Edificação e queda dos corpos - ação que faz parte de série homônima - organiza-se a partir das tensões estabelecidas por estratégias de deslizamento: da construção ao arruinar, do equilíbrio ao tombar, da presença ao desaparecimento. Vem daí a qualidade deste projeto, que desloca o objeto artístico do campo de visibilidade para o campo da ausência, mantendo, entretanto, os rastros de sua passagem pelo domínio urbano e cotidiano, transformando o Recife de cidade a suporte.
Realizada na Argentina em 2007 - sob o título El precio de los ladrillos no se pelea, no Paseo del Buen Pastor, Córdoba, como parte da programação do Festival de Teatro Mercosul - e prevista para a DEFORMES – 2ª Bienal Internacional de Performance/ Circuito Latinoamericano-2008 (“Nomadismo, Cuerpo y Ciudad: desplazamientos y desplazados”), marcada para novembro deste ano no Chile, a série de ações Edificação e queda dos corpos encontra, no SPA das Artes do Recife 2008, sua primeira instância de ocorrência no Brasil. Esse caráter de ineditismo, acreditamos, reforça a eficácia simbólica da intervenção proposta, que convoca o espaço público como um componente físico e humano das formas que serão edificadas. Utilizando-se de procedimentos e recursos técnicos usuais, ordinários e elementares de construção – o tijolo e o corpo que o carrega e o empilha – esta ação subverte sua utilização funcional em uma atuação marcada pela poética singular de uma obra que transborda: no lugar da durabilidade e da resistência, o excesso e os escombros.
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Edificação e queda dos corpos é uma ação em que os integrantes do Coletivo Xepa trabalham em silêncio por cerca de duas horas construindo paredes de tijolos que, ao chegar no limite do seu equilíbrio, desabam. A cada queda é iniciada a construção de uma outra parede que tem por fim também a queda. Ao término de 3.000 tijolos, resta o rastro da ação, uma ação que, no ato de construir, acaba por edificar uma ruína.

1 – Erguer parede com tijolos de barro queimado;
2 – Empilhar os tijolos até que se rompa a linha de força que os sustenta;
3 – Deixar que a parede desmorone;
4 – Começar a construir outra parede e repetir os itens 1, 2 e 3 até que acabem os tijolos.

10 de set de 2008